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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
O Incêndio
O fogo lambia com rapidez o chão onde estavam mas elas não se mexiam. Pareciam mortas. Eram consumidas às carreiras e não se moviam um milímetro do lugar. Eu, ao longe, sentia o cheiro da fumaça e o calor. As últimas baforadas de calor que elas seriam capazes de transmitir vinham da queima de sua própria substância material. Não era essa a ideia de calor que seu criador idealizara inicialmente. O mundo não é justo mesmo, nem para as palavras. Hoje queimei um livro.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
O Quarto
Episódio 1 - O Canto
Vestida apenas com um curto e sujo vestidinho, e mais nada, ela brinca agachada num canto de um quarto escuro. Brinca com seu único brinquedo, uma boneca pequena e velha.
A planta dos pés descalços sobre o chão frio, duro e áspero. Com a cabeça alojada entre os joelhos, ela visualiza tudo o que conhece: seu brinquedo esfarrapado. Nada mais se vê à sua volta, além do negro difuso.
Mas um dia ela ouve na escuridão um barulho estranho e eis que surge do nada um trenzinho de brinquedo, se locomovendo pelo chão.
Enquanto ele dá uma volta nela, num impulso que mistura medo e curiosidade, ela solta a boneca, pega o trenzinho nas mãos e observa seu funcionamento. Depois, o coloca de volta no chão e ele continua seu rumo à escuridão. Ao perceber que ele está se afastando, ela engatinha um pouco para alcançá-lo, mas não consegue. Não quer abandonar o único brinquedo que conhecia até então. Na mente da menina nasce a pergunta: "Será que têm mais alguma coisa além de mim nessa escuridão?"
Episódio 2 - O Assoalho
Após um certo tempo de dúvida a menina decide se aventurar em direção à escuridão. Ela se levanta e dá seu primeiro passo. Nisso ela descobre algo interessante. Por onde ela caminha, uma luz a acompanha, iluminando à ela e onde ela já esteve. A escuridão foge à sua presença, e não volta mais.
Isso a enche de esperanças, e ela decide caminhar mais. Se surpreende quando percebe que o chão frio deu lugar à um lindo assoalho de madeira. Muito mais quente e confortável de pisar do que o chão de cimento. Ela olha para trás e vê, sem saudades, o seu cantinho frio.
Episódio 3 - O Cabideiro
Caminhando mais um pouco, ela abre os braços e esbarra em algo. É um cabideiro. Aos pés dele, estão lindos sapatinhos de boneca. Pendurado nele está um conjunto de roupas de menina, incluindo roupa de baixo, um lindo vestido florido e até um chapéu de tecido, daqueles de amarrar, branco com pequenas flores rosas e amarelas.
Ela decide por de lado seu vestido velho e vestir as roupas novas. Ela olha para si mesma, e gosta do que vê. Uma nova percepção a surpreende, pois sua pele está limpa, macia e cheirosa. De olhos fechados, ela sorri, de simples contentamento consigo mesma.
Episódio 4 - A Escrivaninha
Andando mais um pouco, surgem dois objetos em sua frente, uma escrivaninha com sua cadeira. São muito grandes para ela, mas mesmo assim, com um certo esforço, ela sobe na cadeira e espia sobre a mesa. Lá estão uma folha de papel e uma caneta. Em pé sobre a cadeira, ela não consegue evitar o impulso de escrever -- Meu nome é ... -- Ao escrever seu nome na folha, outra coisa estranha acontece. Ela toma novo conhecimento de seu corpo e se apercebe maior. Agora ela não é mais pequena para a escrivaninha, e está sentada naturalmente sobre a cadeira. Ainda sendo criança, agora ela diz -- Eu cresci!
Episódio 5 - O Tapete de Brinquedos
Ela se levanta da cadeira e decide explorar mais a escuridão. De repente, ela quase tropeça em algo. Ao olhar para baixo, percebe que é um tapete. Ao olhar para cima, tudo o que está sobre o tapete se ilumina. Seu espanto é enorme, pois sobre ele estão um montão de brinquedos. Cavalinhos de pau, casinhas-de-boneca, piões e trenzinhos percorrendo trilhos malucos. Têm até um mini-carrossel, girando com suas luzes. Num lado têm também bolas de vários tipos. De futebol, basquete, tênis, pigue-pongue, e tacos e raquetes de vários esportes. Num outro lado ela vê instrumentos musicais de todos os tipos, trompete, violino, flauta, violão, piano e cravo. Tudo pronto para ser usado por ela. A boneca velha ficou para trás na cadeira da escrivaninha. Com o que será que ela vai brincar?
Episódio 6 - A Gangorra
Depois de tocar um pouco de flauta, jogar iô-iô, e, claro, dar voltas no carrossel até não conseguir mais, ela deita no tapete, cansada mas feliz. Quando está quase cochilando, ouve um barulho estranho, vindo de um lado do tapete que não tinha explorado. -- Tum-tum. -- Ela ouve --Tum-tum-tum-- E então uma voz de menino diz -- Droga, sozinho não vai dar. Ela se levanta e caminha em direção ao barulho e à voz. Eis que atrás de um escorregador em forma de dinossauro, está um menino emburrado, tentando brincar sozinho numa gangorra. -- Olá -- diz a menina. O menino levanta a cabeça assustado e diz -- Nossa! Que susto! Achei que era o único por aqui. -- É, eu também -- diz a menina, um pouco tímida. O garoto sorri para ela e, reconhecendo uma amiga, a convida -- Você não quer brincar de gangorra comigo? Sozinho está muito chato -- É claro, ela diz. E assim os dois se divertem à beça na gangorra. A menina pergunta para ele de onde ele veio. Ele diz que só lembrava que estava num canto escuro, brincando com umas bolinhas de gude, quando de repente passou um helicóptero zumbindo por cima de sua cabeça. Daí ele tentou ir atrás do helicóptero e, depois de caminhar por muitos lugares estranhos, acabou chegando no tapete. -- É, comigo aconteceu algo parecido, só que foi um trenzinho.-- Disse a menina. -- Nossa, como será que eles foram parar lá? -- Disse o menino. -- Não sei-- disse a menina-- Quando te vi, achei que talvez você tivesse mandado o trenzinho para fora do tapete. E respondeu o menino -- Não, não fui eu. Após um tempo de silêncio, o menino disse -- O que acha de aproveitarmos que estamos em dois e brincarmos com os outros brinquedos? E assim eles fizeram, aproveitando muito mais todos eles, agora que tinham a companhia um do outro. Do tapete agora se ouvem as risadas e os gritos de alegria de duas crianças, despreocupadas, felizes.
Episódio 7 - A cama
Os dois passam horas e horas nas brincadeiras. Se divertem à beça e um ensina ao outro as brincadeiras que conhecem. Um dia, andando pela borda do tapete, avistam um objeto branco iluminado entre a escuridão. Eles decidem andar na direção do objeto. O pouco de receio de se afastar do tapete é dissipado pela luz que continua a iluminar o caminho percorrido por eles. Chegando mais perto, ficam em dúvida se é uma cama, pois é muito alta. -- Será que existem gigantes por aqui? Ele pergunta. Ela avisa que não sabe encolhendo os ombros e eles partem para tentar entender melhor o que é aquilo. Ao darem a volta no objeto, encontram uma ponta do cobertor que vai até o chão. Sim, é uma cama e eles decidem escalar o cobertor para chegar em cima dela. Lá em cima encontram o resto do cobertor e dois travesseiros, todos gigantescos. Mesmo parecendo um pouco duro, eles deitam no colchão e usam uma das bordas do cobertor como apoio para a cabeça. Cansados da escalada, o sono toma conta e eles adormecem. Ao acordarem, tomam um susto. Eles estão do tamanho da cama. Os travesseiros, o cobertor, tudo encolheu. Ou será que foram eles que cresceram? Não, foi a cama que encolheu mesmo. Eles descem dela facilmente e voltam ao tapete para continuar a brincar. Agora eles têm um lugar mais confortável para descansar e apoiar a cabeça no ombro do outro.
Episódio 8 - As Paredes
No tapete, as brincadeiras continuam. No entanto, a essa altura, eles já sabem quais são seus brinquedos favoritos. Brincam com eles horas a fio, sem enjoar. Sem que percebam, a cada dia estes brinquedos estão mais perto da cama. Com isso, acabam deixando de andar pelo resto do tapete. Seus percursos diários se restringem cada vez mais ao entorno da cama. Eles não notam, mas uma estrutura se forma e torno deles com o passar do tempo. Por fim, o que os envolve são paredes. Aconchegantes. Isolantes. O quarto de fechou em torno deles, e as paredes os separam do resto do mundo. Mas eles não notam pois pouco se importam. Tudo o que lhes é precioso está presente ali naquele recinto.
Episódio Final - O Sótão
Certo dia, antes de irem dormir, o menino afastou os cabelos brancos da menina, a beijou na testa e desejou boa noite. De manhã, quando ela acordou, não viu o menino no quarto. O que viu foi uma portinhola aberta no teto, e uma escada que se estendia da abertura ao chão. Uma luz estranha vinha do buraco. O menino deve ter subido por ali... A menina olhou para os brinquedos velhos, desapegada, e subiu até o último degrau da escada. Chegando lá, uma visão fantástica a atingiu. Ao redor dela estava todo o universo. A luz que ela tinha visto lá de baixo vinha das estrelas. Estrelas, nebulosas, e planetas, que formavam galáxias, e conglomerados fantásticos. Ela nunca tinha contemplado paisagens assim. Querendo ver as estrelas mais de perto, ela, ingenuamente, deu um pequeno impulso para cima com os pés. Imediatamente, o alçapão desapareceu, a gravidade deixou de atuar sobre seu corpo e ela se esqueceu de tudo. Solta, leve, flutuando pelo espaço, ela passou a viajar sorrindo em admiração por entre as estrelas.
FIM
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Um dos motivos pelo qual não sou mais Farmacêutico.
Hoje me deparei com um artigo de um ganhador do prêmio Nobel de medicina que afirmava que as indústrias farmacêuticas deixam de produzir remédios que curam de fato, dando preferência aos que cronicalizam as doenças, como forma de manter e aumentar os lucros. Este artigo é muito sério, e me toca especialmente pois está relacionado com minhas escolhas profissionais. Abandonei a carreira de farmacêutico, entre outras coisas, por me deparar constantemente com a prevalência da lógica de mercado sobre a saúde e o bem estar da população. Esta cultura me causava um cansaço moral e um mal-estar constantes e acabei capitulando, escolhendo uma área, não sem dilemas éticos, mas que não envolve a saúde das pessoas e não é tão capitalizada. Depois de um tempo distante do meio, reconheço que houve covardia de minha parte em deixar de enfrentar e provocar as mudanças que eu achava necessárias.
Desejo a todos os profissionais da saúde, e em especial aos meus amigos e colegas farmacêuticos, toda a força e coragem necessárias para enfrentar esta lógica perniciosa que nos é imposta. Não se deixem vender nem vencer. Busquem sempre a união um torno do que é certo!
Um forte abraço,
Igor Konieczniak
PS.1 Não encontrei o artigo original, mas estou procurando, para comprovar a veracidade.
PS.2 Confirmei a veracidade do artigo, via Twitter, com o jornalista que fez a entrevista.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Todos os Homens São Mortais.
Acabei de ler "Todos os Homens São Mortais", de Simone de Beavoir. Um livro angustiante, em especial para aqueles que pensam pouco na morte, na brevidade da vida. Não é o meu caso. Talvez por isso, me entediou a constante repetição da maldição dos personagens mortais. De novidade apenas o tédio do imortal. Será que um ser imortal se entediaria? No entanto, o efeito da mortalidade é mais conhecido, sobretudo nos que ainda não a sofreram. Em comum à todos o vazio da existência. Mas algumas das mortes são inspiradoras, e o imortal não os compreende por todo o livro. Como ser otimista quando se têm certeza da morte? Ainda assim a perspectiva otimista é a única viável. Sem ela a vida para ou torna-se insuportável. Será? Nunca teremos as respostas que precisamos. Mas, afinal, as precisamos para quê? Se gerações após gerações vivem e morrem à revelia do não surgimento destas respostas. O otimismo não faz sentido. Mas ainda é melhor que se capture o dia, do que apenas vê-lo passar.
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Vale a pena combater diretamente?
Existem muitas situações em que populações entram em conflito até que haja a dominação de uma sobre a outra. Falo de populações num sentido muito amplo. Populações de idéias contrárias, quando uma idéia pode desaparecer em favor de outra. Populações de pessoas, onde um grupo pode ser exterminado, em favor de outro, e chego até a incluir populações de microorganismos, sempre competindo entre si pelos nutrientes disponíveis.
Pois bem. Para as populações de microorganismos, temos exemplos tácitos de que o ataque direto pode ser revertido em favor do atacado. Falo do caso das superbactérias. Quando uma infecção não é tratada com uma dose que mate necessariamente todos os microorgamos alvo, os poucos restantes poderão representar justamente a seleção de microoganismos resistentes àquele antibiótico. Casos parecidos também ocorrem em outras classes de populações, como por exemplo, a dos cristãos perseguidos no início da nossa era. As próprias revoltas populares atuais são exemplos claros (e felizes), de que o combate direto (pelos ditadores) é muitas vezes ineficiente.
Fica a primeira lição. Se for atacar diretamente, que seja um ataque fulminante e total, com ampla margem de segurança para eliminar toda a população concorrente. Caso contrário, poderá ocorrer a seleção justamente dos elementos mais fortes e opositores e o problema dos atacantes terá aumentado.
Mas nem sempre o ataque direto é possível ou desejável. Há alternativa? Talvez o ataque indireto. Aquele que diz "se não pode vencê-los, junte-se à eles". Mas isso não representa a pura e simples abdicação da luta pela prevalência de sua idéia (população). Não sei direito do que se trata. Talvez passe pela aceitação do direito de existência do outro, pela legitimidade histórica, de que se elas existem, já é suficiente para que tenham direito de existir ou ao menos de lutar pela continuação de sua existência.
O ataque indireto talvez inclua também a desistência de uma luta por uma organização/estrutura, mas sim pelo alcance de seus objetivos. Assim, ao se perceber que a estrutura não ajuda ou até atrapalha o alcance dos objetivos iniciais, pode-se deixar de defendê-la. Quantos conflitos na história já não existiram por colocarem seu foco na existência de determinadas estruturas, quando o objetivo deveria estar acima delas, focado no ser humano?
No âmbito pessoal, o convencimento de outros pelo seu ponto de vista é enormemente facilitado quando o ataque não é direto. No ataque direto, não se respeita o direito da outra pessoa ter uma opinião diferente da sua. Não se respeita portando a pessoa, e a discussão vira pessoal. Ao contrário, quando se usa o que seria o ataque indireto, o respeito ao direito de existência da opinião alheia, abre possibilidade de diálogo. Chega até ser possível que ambos cheguem a uma opinião diferente das duas iniciais, devido à troca de idéias.
Outro exemplo, que suscitou a escrita deste texto, é o combate ao consumo de certos produtos, por questões ideológicas diversas. Quanto mais atenção o combate a eles causar, maior será a aparição do produto da mídia e mais ele será consumido. (Ver o post da @ticamoreno sobre a cerveja devassa)
Bom, mais uma idéia posta pra fora da cachola. Acho que vou ler mais sobre desobediência civil. Fui...
Pois bem. Para as populações de microorganismos, temos exemplos tácitos de que o ataque direto pode ser revertido em favor do atacado. Falo do caso das superbactérias. Quando uma infecção não é tratada com uma dose que mate necessariamente todos os microorgamos alvo, os poucos restantes poderão representar justamente a seleção de microoganismos resistentes àquele antibiótico. Casos parecidos também ocorrem em outras classes de populações, como por exemplo, a dos cristãos perseguidos no início da nossa era. As próprias revoltas populares atuais são exemplos claros (e felizes), de que o combate direto (pelos ditadores) é muitas vezes ineficiente.
Fica a primeira lição. Se for atacar diretamente, que seja um ataque fulminante e total, com ampla margem de segurança para eliminar toda a população concorrente. Caso contrário, poderá ocorrer a seleção justamente dos elementos mais fortes e opositores e o problema dos atacantes terá aumentado.
Mas nem sempre o ataque direto é possível ou desejável. Há alternativa? Talvez o ataque indireto. Aquele que diz "se não pode vencê-los, junte-se à eles". Mas isso não representa a pura e simples abdicação da luta pela prevalência de sua idéia (população). Não sei direito do que se trata. Talvez passe pela aceitação do direito de existência do outro, pela legitimidade histórica, de que se elas existem, já é suficiente para que tenham direito de existir ou ao menos de lutar pela continuação de sua existência.
O ataque indireto talvez inclua também a desistência de uma luta por uma organização/estrutura, mas sim pelo alcance de seus objetivos. Assim, ao se perceber que a estrutura não ajuda ou até atrapalha o alcance dos objetivos iniciais, pode-se deixar de defendê-la. Quantos conflitos na história já não existiram por colocarem seu foco na existência de determinadas estruturas, quando o objetivo deveria estar acima delas, focado no ser humano?
No âmbito pessoal, o convencimento de outros pelo seu ponto de vista é enormemente facilitado quando o ataque não é direto. No ataque direto, não se respeita o direito da outra pessoa ter uma opinião diferente da sua. Não se respeita portando a pessoa, e a discussão vira pessoal. Ao contrário, quando se usa o que seria o ataque indireto, o respeito ao direito de existência da opinião alheia, abre possibilidade de diálogo. Chega até ser possível que ambos cheguem a uma opinião diferente das duas iniciais, devido à troca de idéias.
Outro exemplo, que suscitou a escrita deste texto, é o combate ao consumo de certos produtos, por questões ideológicas diversas. Quanto mais atenção o combate a eles causar, maior será a aparição do produto da mídia e mais ele será consumido. (Ver o post da @ticamoreno sobre a cerveja devassa)
Bom, mais uma idéia posta pra fora da cachola. Acho que vou ler mais sobre desobediência civil. Fui...
domingo, 17 de outubro de 2010
Choro e Chuva 2 - As idéias
Sobre o que pensei? Ah, logicamente, sobre a vida, o universo e tudo o mais, incluindo:
-Certezas, onde vocês foram se esconder?
-Meus amigos, me perdoem a ausência dos últimos 9 anos. Acreditem, uma parte do isolamento foi e ainda é necessária, benéfica. A outra parte, a maléfica, inevitável.
-Àquela que certa vez debochou de meus amigos: "Porque debochas dos meus amigos? O único mal que te fizeram foi não propiciar que você conhecesse as pessoas fantásticas que eles são. Se você não se mostrou interessante o suficiente para evitar isso, o problema é todo seu."
-Encontrei hoje um pedacinho de beleza no meio deste nosso mundo acabado. Uma blogueira com uma escrita precisa, lúcida, honesta, leve e bela. http://www.arnug.com/arnug/?page_id=100 e http://www.arnug.com/ ou ainda @anarina no twitter. Parte desta insônia é culpa dela.
-O máximo de compreensão e vislumbre que um físico pode aspirar é delimitado pelo que Einstein ou Newton atingiram. Mas, até que ponto a condição humana foi alterada pela existência deles? Diretamente? Muito pouco. E indiretamente? É, de fato, o mundo não seria o mesmo sem eles. Mas, será que seria menos desigual e injusto?
-Certezas, onde vocês foram se esconder?
-Meus amigos, me perdoem a ausência dos últimos 9 anos. Acreditem, uma parte do isolamento foi e ainda é necessária, benéfica. A outra parte, a maléfica, inevitável.
-Àquela que certa vez debochou de meus amigos: "Porque debochas dos meus amigos? O único mal que te fizeram foi não propiciar que você conhecesse as pessoas fantásticas que eles são. Se você não se mostrou interessante o suficiente para evitar isso, o problema é todo seu."
-Encontrei hoje um pedacinho de beleza no meio deste nosso mundo acabado. Uma blogueira com uma escrita precisa, lúcida, honesta, leve e bela. http://www.arnug.com/arnug/?page_id=100 e http://www.arnug.com/ ou ainda @anarina no twitter. Parte desta insônia é culpa dela.
-O máximo de compreensão e vislumbre que um físico pode aspirar é delimitado pelo que Einstein ou Newton atingiram. Mas, até que ponto a condição humana foi alterada pela existência deles? Diretamente? Muito pouco. E indiretamente? É, de fato, o mundo não seria o mesmo sem eles. Mas, será que seria menos desigual e injusto?
sábado, 16 de outubro de 2010
Organizações
Organizações são necessárias. Inerentes à humanidade. Mas sua criação e existência envolve um certo risco. Em sua fundação, as organizações procuram servir à pessoas. Mas com o tempo, isso pode mudar. São muitas as organizações que se consideram inevitáveis, fundamentais, imprescindíveis. Poucas são as que planejam o seu fim. Não sonham com o dia em que não serão mais necessárias. Todas querem crescer e se fortalecer. Quanto mais membros, melhor. Dessa forma, a organização pode chegar à um estágio além, onde a sua própria sobrevivência (se ameaçada) , ou a sua própria expanção (caso contrário), passam a ser os objetivos primeiros. A organização passa a ser um fim em si mesma, e o objetivo de atender à alguma necessidade legitima das pessoas fica em segundo plano. Quantas organizações não passaram por isso? Governos então? O que fazer então? Proponho criar uma organização para combater às organizações. Que tal? Brincadeiras à parte, o caminho mais difícil, mas acredito ser o único possível, é, em qualquer contexto, sempre denovo tentar colocar os trens nos trilhos, e as organizações no rumo de alcançar e lutar por seus verdadeiros objetivos (sem discutir a coerência destes, que à priori, deixo para outra hora).
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Sobre a pena de morte: Aplicando idéias físicas no direito.
Na física, o comportamento das grandezas é frequentemente visualizado em gráficos. Os formatos das curvas nos gráficos podem variar. Entre os mais simples temos as retas horizontais, para algo constante, as retas inclinadas, para uma grandeza que muda de forma constante. Outra curva simples de desenhar, mas pouco conhecida entre os não-físicos é a curva degrau (Heaviside para os íntimos). Esta curva é sempre zero até um ponto do gráfico, depois deste ponto, ela possui o valor 1. É uma função abrupta, descontínua. Quero chamar a atenção para a curva simétrica a ela, ou seja, a curva que é sempre 1 até certo ponto e, depois dele, passa a ser zero. Esta curva poderia representar a vida de uma pessoa até a sua morte. Com vida, o gráfico marca 1, sem vida, o gráfico marca zero. Todos nós tempos uma curva destas associada a nossa vida, um gráfico em função do tempo, representando nosso estado entre os dois possíveis, morto ou vivo (Dudu, para facilitar, vou tirar os zumbis da discussão).
Bom, a pena de morte é a decisão deliberada de quando esta curva irá zerar para um criminoso. Esta decisão, deve ser tomada com base na gravidade dos crimes que uma pessoa cometeu. O problema é que, se desenhássemos a gravidade dos crimes num gráfico, teríamos algo muito parecido com uma reta crescente. Ou seja, há uma linha quase contínua, ligando a gravidade dos crimes, desde a mentirinha mais boba, até aos mais hediondos imagináveis. Como a pena de morte é uma solução abrupta, é necessário determinar em que posição desta escala ela deveria ser aplicada. Suponhamos que a escolha tenha sido feita. Deste crime com estes agravantes em diante, a pena de morte é aplicável. A questão é que para crimes logo abaixo deste ponto, por muito pouco, eles se livrarão da pena capital. E, os criminosos logo acima, por muito pouco, foram condenados a uma decisão abrupta. Mas o critério que decide onde na escala de gravidade esta pena deve ser aplicada é, numa grande medida, arbitrário, tão grande a quantidade de fatores envolvidos. Dessa forma, não há justiça possível, ao utilizarmos uma punição com um espetro descontínuo, ou seja, abrupta, para punir algo que é contínuo. A dureza e a duração da punição também deve ser contínua, ou seja, acompanhar indefinidamente a gravidade dos crimes.
Este seria um ponto contra a pena de morte.
Bom, eu sei que sou melhor físico que jurista, e a argumentação é ingênua. Mas achei a idéia interessante, especialmente por ser um exemplo de transferência de conceitos entre áreas tão distintas e, assim, decidi publicar.
Comentários?
Bom, a pena de morte é a decisão deliberada de quando esta curva irá zerar para um criminoso. Esta decisão, deve ser tomada com base na gravidade dos crimes que uma pessoa cometeu. O problema é que, se desenhássemos a gravidade dos crimes num gráfico, teríamos algo muito parecido com uma reta crescente. Ou seja, há uma linha quase contínua, ligando a gravidade dos crimes, desde a mentirinha mais boba, até aos mais hediondos imagináveis. Como a pena de morte é uma solução abrupta, é necessário determinar em que posição desta escala ela deveria ser aplicada. Suponhamos que a escolha tenha sido feita. Deste crime com estes agravantes em diante, a pena de morte é aplicável. A questão é que para crimes logo abaixo deste ponto, por muito pouco, eles se livrarão da pena capital. E, os criminosos logo acima, por muito pouco, foram condenados a uma decisão abrupta. Mas o critério que decide onde na escala de gravidade esta pena deve ser aplicada é, numa grande medida, arbitrário, tão grande a quantidade de fatores envolvidos. Dessa forma, não há justiça possível, ao utilizarmos uma punição com um espetro descontínuo, ou seja, abrupta, para punir algo que é contínuo. A dureza e a duração da punição também deve ser contínua, ou seja, acompanhar indefinidamente a gravidade dos crimes.
Este seria um ponto contra a pena de morte.
Bom, eu sei que sou melhor físico que jurista, e a argumentação é ingênua. Mas achei a idéia interessante, especialmente por ser um exemplo de transferência de conceitos entre áreas tão distintas e, assim, decidi publicar.
Comentários?
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Choro pela vida
Choro pela vida. Pela minha, pela tua. Choro pela beleza. Pela alegria de se viver, de se conhecer, de se apaixonar.
Chorei certa vez pela beleza da música.
Epifania!
Não conseguia parar de ouvir jazz e soul.
Sozinho em casa, fui ouvindo Ray Charles cantar "You are my Sunshine" e a orquestra de Henry Mancini tocar "The Pink Panther Theme". Ouvi esta última uma, duas, três vezes...
Estava tão emocionado com o que sentia, que não conseguia parar de ouvir. Até que cai aos prantos, emocionado com tanta beleza. Mas eu queria mais. Como sentir mais música? Como ser transpassado por uma maior compreensão e gozo musical? Aí eu chorei mais um pouco, pois percebi que só havia uma forma de sentir mais gozo pela música do que eu estava sentindo. Eu teria que SER música. E orei a Deus por isso. Aos prantos. Extasiado, mas ainda incompleto.
Chorei certa vez pela beleza de tudo o que existe. Relembrei minha primeira epifania, e acrescentei outras belezas. Imaginei as coisas que Deus fez. A beleza das coisas inanimadas e também das animadas. Imaginei a beleza do homem e da mulher, de seus corpos e almas. E pensei em todas as belezas que o próprio homem foi habilitado por Deus a fazer. A música, a pintura, as esculturas. Mas o êxtase veio quando pensei na face de Deus criador. E me fiz a pergunta: Como seria a beleza do criador de toda a beleza. A beleza da presença de Deus me atingiu, e mais uma vez, caí aos prantos. Disso uma humilde poesia surgiu.
Anos depois chorei também pelo sofrimento dos homens. Havia passado por uma sabatina de verdade, no início de um relacionamento. A coisa foi absurda. Os inquisidores listaram todos os motivos possíveis para que o relacionamento terminasse ali mesmo. Aquilo foi cruel. Fatos íntimos de minha parceira foram expostos de forma pornográfica e inconsequente, sob o pretexto de serem mais motivos para que o relacionamento não existisse. O relacionamento realmente foi abalado e terminou, semanas depois. Ainda tarde, segundo os inquisidores. No dia seguinte à sabatina, ao entrar no banheiro para escovar os dentes, eis que ouço a água caindo na pia. O efeito que isso provocou foi descomunal. Caí, ali mesmo no chão, mal tendo tempo de trancar a porta. E chorei. Chorei copiosamente, aos soluços, que se sobrepunham uns aos outros. Nunca chorei tanto. Passei ali cerca de uma hora, chorando por mim, por ela, e pela dor que o homem é capaz de causar a si mesmo. Chorei pelas injustiças impunes, pelos atos inconsequentes dos homens, pela ganância maldita que por alguns centavos a mais de lucro, asssume o risco de matar e de fazer sofrer.
Chorei muito no inverno da minha vida. Há alguns anos atrás, perdi algo que não imaginava que pudesse ser perdido. O fôlego da vida saiu de dentro de mim. Foi passear e se esqueceu de voltar. Mas foi um choro bruto. Daquele que não alivia a dor. Poucas lágrimas. A queda foi escrita neste momento. Deste choro eu não lembro. Sei que está registrado em alguns textos sombrios. Mas trevas ocultam estes momentos e não os enxergo mais. E as trevas estiveram comigo, desde então.
Mas hoje o choro foi especial.
Hoje choro por tanta dor que carreguei comigo, em tantos anos. Choro mais uma vez, por tanta beleza que posso sentir e criar. Choro porque depois de 9 anos posso ser livre. O Schliptz voltou. Choro porque posso ser eu mesmo. Sou livre para criar e para me apaixonar novamente. Choro porque as trevas foram embora. Porque as amarras foram desfeitas. Choro porque sei quem sou. Choro pelo menino, choro pelo homem. Choro porque é primavera, mesmo sendo verão. Choro porque sei que sou amado e porque amo.
Hoje, choro, pois não sou mais O silêncio.
Schliptz, 1o de fevereiro de 2010.
Chorei certa vez pela beleza da música.
Epifania!
Não conseguia parar de ouvir jazz e soul.
Sozinho em casa, fui ouvindo Ray Charles cantar "You are my Sunshine" e a orquestra de Henry Mancini tocar "The Pink Panther Theme". Ouvi esta última uma, duas, três vezes...
Estava tão emocionado com o que sentia, que não conseguia parar de ouvir. Até que cai aos prantos, emocionado com tanta beleza. Mas eu queria mais. Como sentir mais música? Como ser transpassado por uma maior compreensão e gozo musical? Aí eu chorei mais um pouco, pois percebi que só havia uma forma de sentir mais gozo pela música do que eu estava sentindo. Eu teria que SER música. E orei a Deus por isso. Aos prantos. Extasiado, mas ainda incompleto.
Chorei certa vez pela beleza de tudo o que existe. Relembrei minha primeira epifania, e acrescentei outras belezas. Imaginei as coisas que Deus fez. A beleza das coisas inanimadas e também das animadas. Imaginei a beleza do homem e da mulher, de seus corpos e almas. E pensei em todas as belezas que o próprio homem foi habilitado por Deus a fazer. A música, a pintura, as esculturas. Mas o êxtase veio quando pensei na face de Deus criador. E me fiz a pergunta: Como seria a beleza do criador de toda a beleza. A beleza da presença de Deus me atingiu, e mais uma vez, caí aos prantos. Disso uma humilde poesia surgiu.
Anos depois chorei também pelo sofrimento dos homens. Havia passado por uma sabatina de verdade, no início de um relacionamento. A coisa foi absurda. Os inquisidores listaram todos os motivos possíveis para que o relacionamento terminasse ali mesmo. Aquilo foi cruel. Fatos íntimos de minha parceira foram expostos de forma pornográfica e inconsequente, sob o pretexto de serem mais motivos para que o relacionamento não existisse. O relacionamento realmente foi abalado e terminou, semanas depois. Ainda tarde, segundo os inquisidores. No dia seguinte à sabatina, ao entrar no banheiro para escovar os dentes, eis que ouço a água caindo na pia. O efeito que isso provocou foi descomunal. Caí, ali mesmo no chão, mal tendo tempo de trancar a porta. E chorei. Chorei copiosamente, aos soluços, que se sobrepunham uns aos outros. Nunca chorei tanto. Passei ali cerca de uma hora, chorando por mim, por ela, e pela dor que o homem é capaz de causar a si mesmo. Chorei pelas injustiças impunes, pelos atos inconsequentes dos homens, pela ganância maldita que por alguns centavos a mais de lucro, asssume o risco de matar e de fazer sofrer.
Chorei muito no inverno da minha vida. Há alguns anos atrás, perdi algo que não imaginava que pudesse ser perdido. O fôlego da vida saiu de dentro de mim. Foi passear e se esqueceu de voltar. Mas foi um choro bruto. Daquele que não alivia a dor. Poucas lágrimas. A queda foi escrita neste momento. Deste choro eu não lembro. Sei que está registrado em alguns textos sombrios. Mas trevas ocultam estes momentos e não os enxergo mais. E as trevas estiveram comigo, desde então.
Mas hoje o choro foi especial.
Hoje choro por tanta dor que carreguei comigo, em tantos anos. Choro mais uma vez, por tanta beleza que posso sentir e criar. Choro porque depois de 9 anos posso ser livre. O Schliptz voltou. Choro porque posso ser eu mesmo. Sou livre para criar e para me apaixonar novamente. Choro porque as trevas foram embora. Porque as amarras foram desfeitas. Choro porque sei quem sou. Choro pelo menino, choro pelo homem. Choro porque é primavera, mesmo sendo verão. Choro porque sei que sou amado e porque amo.
Hoje, choro, pois não sou mais O silêncio.
Schliptz, 1o de fevereiro de 2010.
domingo, 20 de setembro de 2009
PRESENÇA
Um vale de flores
flores, um mar
mergulho entre elas
calmamente, belamente
Sinto o sol sobre mim
me aquece
estou tranquilo, deitado
sobre algumas delas,
as outras me envolvem
Mar dourado de margaridas
lugar secreto
só eu e Ele
minhas forças desfalecem
não importa
nada importa
só a Sua presença.
Schliptz, janeiro de 2001.
flores, um mar
mergulho entre elas
calmamente, belamente
Sinto o sol sobre mim
me aquece
estou tranquilo, deitado
sobre algumas delas,
as outras me envolvem
Mar dourado de margaridas
lugar secreto
só eu e Ele
minhas forças desfalecem
não importa
nada importa
só a Sua presença.
Schliptz, janeiro de 2001.
domingo, 16 de agosto de 2009
Os segredos de uma conversa provocante
Você já participou ou presenciou uma conversa, entre um homem e uma mulher, que, de tão provocativa e inteligente, parecia que os interlocutores estavam fazendo sexo através das palavras? Eu me lembro de ter presenciado uma destas. Foi fascinante, mas me senti como entre dois espadachins do filme "O Tigre e o Dragão", e eu segurando uma espada de madeira, com chapéu de jornal na cabeça. Eu acho que sim, é possível fazer sexo através das palavras, assim como é possível através da música. Veja o exemplo do Milton e da Rita Lee, no clipe "Mania de Você". Será telepatia, como diz a letra? :)
Em geral o sexo não é assunto da conversa. Provavelmente esteja na cabeça do homem, talvez até na da mulher, mas não na conversa aberta. Não, esta é uma conversa para sutilezas. Não é o sexo, ou a possibilidade de que mais excita, apesar de estar presente. O que excita acima de tudo é a inteligência da conversa. Este sim é o elemento central. A inteligência pode ser extremamente excitante, especialmente se somada ao humor. O humor inteligente, que sabe provocar, e dizer o que não deveria ser dito, dizendo quase nada. Não sei se existe telepatia, mas nessas conversas há sem dúvida algo de especial. Uma conexão, identificação e interesse recíprocos. A inteligência, demonstrada através do humor, provoca admiração e desperta o interesse mútuo. Se acrescentarmos ainda a beleza do corpo e da alma, então a mistura é explosiva. A beleza do corpo talvez não seja tão fundamental e os detalhes da alma não são desvendados assim tão facilmente. Mas existe um aspecto interior que é fundamental neste tipo de conversa, a auto-estima. Esta, quando elevada, se reflete no diálogo, na capacidade de rir de si mesmo, das provocações que cutucam os defeitos e de contra atacar, com leveza, elegância e, mais uma vez, humor.
O desafio está lançado. Empunhemos no alto nossas espadas e que o duelo começe.
Schliptz, 2009.
Em geral o sexo não é assunto da conversa. Provavelmente esteja na cabeça do homem, talvez até na da mulher, mas não na conversa aberta. Não, esta é uma conversa para sutilezas. Não é o sexo, ou a possibilidade de que mais excita, apesar de estar presente. O que excita acima de tudo é a inteligência da conversa. Este sim é o elemento central. A inteligência pode ser extremamente excitante, especialmente se somada ao humor. O humor inteligente, que sabe provocar, e dizer o que não deveria ser dito, dizendo quase nada. Não sei se existe telepatia, mas nessas conversas há sem dúvida algo de especial. Uma conexão, identificação e interesse recíprocos. A inteligência, demonstrada através do humor, provoca admiração e desperta o interesse mútuo. Se acrescentarmos ainda a beleza do corpo e da alma, então a mistura é explosiva. A beleza do corpo talvez não seja tão fundamental e os detalhes da alma não são desvendados assim tão facilmente. Mas existe um aspecto interior que é fundamental neste tipo de conversa, a auto-estima. Esta, quando elevada, se reflete no diálogo, na capacidade de rir de si mesmo, das provocações que cutucam os defeitos e de contra atacar, com leveza, elegância e, mais uma vez, humor.
O desafio está lançado. Empunhemos no alto nossas espadas e que o duelo começe.
Schliptz, 2009.
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